Posted byTrunkael | Marcadores: , | às 08:42 |

Daqui eu vejo um bêbado cambaleando pela rua, e não é a primeira vez que o vejo, possivelmente todos os dias faz esse mesmo trajeto após gastar um dinheiro, que não tem, em várias doses de pinga. Deve estar muito feliz tropeçando nas próprias pernas, e logo depois caindo no chão para acordar somente amanhã, pois faz isso quase todos os dias.
Será que ele não trabalha?
Sim, deve trabalhar, possivelmente é servente de pedreiro, e não tem horário certo para o serviço, por vezes deve capinar algum quintal ou vender coisas que acha na rua. E assim ganha seu dinheiro para beber pinga, tropeçar, cair, e não mais levantar. Isso sim é felicidade.

Agora imagina os outros cidadãos que passam por ele, e se horrorizam pela sua figura sombria e fedor insuportável. Vejam então que um cidadão pensa enquanto passa a seu lado:
"Deveríamos cortar a raiz de sua existência, pois veja bem, ele apenas bebe. Não faz bem nenhum à sociedade, na verdade até incomoda as pessoas, o mundo, certamente, iria agradecer se sua alma deixasse esse corpo imundo."
Ah sim, matar aqueles que não merecem viver, quem dera a inteligência humana desse um pouquinho de espaço à seleção natural, para que parasitas sem passado e nem futuro, não tivessem nem seu presente. Mas quem somos nos para julgar? É isso que a senhora que passou ao seu lado agora pensou:
"Pobre criatura de Deus, se eu tivesse dinheiro eu o daria uma boa casa para morar com a família, e seus problemas seriam resolvidos com meu dinheiro, para com que ele não mais precisasse beber para esquecer os problemas, pobre criatura..."


Uma criatura de Deus, ser humano assim como eu e você, que se tivesse dinheiro, na certa cuidaria mais de sua família e com certeza beberia mais do que deveria. Maldito ser humano que não se contenta com nada, e nunca aprende a lição. Quantos miseráveis passam por nossa vida pedindo dinheiro para sua passagem de ônibus e logo que viram a esquina já estão tomando cachaça? Ah sim, esses merecem encontrar com nosso senhor, mas não aqui na terra. Mas ele tem uma família, tem um filho pequeno que ainda o acha o herói de sua geração:
"Papai chegou, papai chegou" e o bêbado entra em seu pequeno barraco tropeçando em seus filhos e recebendo um abraço do caçula, que ainda não teve tempo de cultivar nenhum ódio pela sua bebedeira. E num ímpeto que só um bêbado tem, um tapa derruba o pobre caçula no chão, que assustado se refugia entre as pernas de seus irmãos. "O que aconteceu com papai? snif, snif".

E logo a mamãe chega xingando seu marido irresponsável que só sabe beber, e logo toma dois socos na cara, para lembrar que ele é o homem da casa, e que ele coloca a comida na mesa, e por causa disso ele tem o direito de beber e de ter outras mulheres. Tudo isso pode ser entendido com aquele soco, pois é a linguagem que ela está acostumada.
Ela foge para casa da vizinha dizendo que não voltará nunca mais, mas quando abre a porta do barraco vizinho, vê sua amiga no chão, chorando, esperando que alguém lhe ajude, pois seu marido chegou bêbado em casa.
Choro sobre choro, nada se resolve, tudo se esquece.
E aquela crente passa do lado do bêbado, olha para a miséria em pessoa, para a forma humana por trás do fedor e embriagues, e entre lágrimas por ter tudo que sempre quis, resmunga em sua mente: "É dos pobres o reino do céu"

  1. Que texto mais feio. Cabeça vazia é oficina do diabo mesmo, quando trabalhei na locadora foi a época que eu mais escrevia coisas tolas.

  1. Interessante, contestável. Eu ia escrever sobre no blog, mas não consegui formular idéia que prestasse.

    20-12-2003 12:48:23

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